22 janeiro, 2011

Três Roceiros em São Paulo *part II

 Chega enfim domingo, sobre o efeito da pequena maré alcoólica da noite passada. Domingo é o dia mais matuto de todos, onde a arte de não se fazer nada se faz prevalecer, e assim os três caipiras se faziam acreditar. 

Coffe Break ligeiro e malas no carro. E rumo a roça novamente... era o que pensavam, mas antes um Pit Stop na casa da aniversariante para um almoço em família. Almoço em família entende-se uma mesa cumprida cheia de pessoas conversando paralelamente com a voz alta, macarronada e tudo o que se tem direito... mas não ali, ali é uma espécie de churrasco na laje. 

 E assim as horas passavam, idas e vindas para comprar mais cerveja - neste ponto destaco a evolução do Churrasco, que começou com latinhas de Bavarias e terminou com Skol- muita carne, cerveja, som alto, e gente bonita, na verdade nem tão bonita, sinceramente nada bonita.

E os ponteiros do tempo corriam, um dos jovens matutos ainda precisava voltar para lavorar em seu pedacinho de terra, e via cada vez mais distante desta possibilidade. Enquanto outro matuto, bêbado fazia juras de amor para ulguma Mariazinha. E o terceiro aproveitava o dia em família, família família mamãe papai e titia

O tempo passou, a terra girou e o sol se foi atrás de um morro de casas qualquer. Talvez eles pudessem ter ido embora há tempos, e isto evitaria o que vem a seguir, o fato é que não foram. Tarde da noite, cansados combinam de reunir toda tropa no carro para conversar descansar e quem sabe assim, notarem que estão prontos para ir embora. E assim o fazem, porém, sempre há um, não todos. 

O Jeca bêbado fica com sua amada companhia na festa, enquanto os outros dois seguem para o carro. Quando ligam para os jovens no carro ouve-se uma gritaria pelo telefone e ali foi lançada a sorte. O Jeca que ficou na festa surge rapidamente com seu amor de um dia, enquanto o pau comia lá fora.

 Agora sim, estava muito calmo para um Churrasco na laje na Zona Leste. A cultura se faz presente, e a lenda se faz verdade. Depois de muita gritaria e palavras gentis trocadas. As carroças motorizadas saem em mais um dia de fuga, para enfim a volta tranquila para casa.

A confusão se deu quando o jovem roceiro levou sua companheira para mostrar os pisos do banheiro, de portas fechadas. Realmente eram pisos muito bonitos. Algumas pessoas de alma leviana viram finalmente uma razão para demonstrar o motivo real de suas existências. Mas tudo ficou no alarde apenas, graças a sogra de um dos matutos, que bravamente brandiu as poderosas palavras, Tander Tander Tander Cats Hooow! 

Porque festa boa é festa com barraco! Qualquer semelhança com a realidade é pura conhecidência, ou não.

22 novembro, 2010

Três Roceiros em São Paulo

 
Certas pessoas quando se reúnem, poderiam, ou melhor, deveriam invocar o Capitão Planeta. É uma prenuncia de confusão no final.

 Certa vez, convidaram três jovens matutos do interior para uma festa em São Paulo, e não há como negar um convite a ir a S. Paulo, terra que nunca dorme. Mesmo que este convite seja para ajudar numa festa, afinal pra quem assistiu Cockteil e viu o nosso amigo Tom Cruise se dar muito bem atrás do balcão, ajudar no bar seria molezinha.
 A festa era de debutante de uma jovem, nova parenta de um dos roceiros interioranos, o qual convidou os outros dois para o baile da filha da mãe da tia da irmão da mãe da sogra de alguém ...
 Ocasião especial exigia um traje especial, então todos prontamente vestidos de meia beca, ou esporte fino rumo a Manhattan Tupiniquim no cair do sol num sábado agradável.
  Quando se fala em São Paulo, logo se imagina a av. Paulista, bem a festa se passava um bocado longe da Augusta  para desapontamento de um dos matutos. Na verdade era muito além, além de onde a minhoca de me metal chega. Poderia poupar o fato que se perderam no caminho, em meio ao labirinto de avenidas que é San Pablo. Mas mineiro é calmo com seu matin no canto da boca e logo se encontram no caminho novamente. 

O lema de um pessimista é sempre imaginar o pior ...

Mas o nome S. Paulo carrega magia em si, e quando se cogita São Paulo, tudo é possível e imprevisível e imaginar coisa pouca é bobagem. Porém o baile era além desta terra de Fantasia, onde Neverland não estendia seus poderes, uma terra esquecida, terra em que velho Mufasa havia banido conhecida como a Zona Leste, antro de peregrinação para os terroristas da seita Corintiana.
 Bom se o lugar não era dos melhores, pelo menos as pessoas... hm também não eram. Raciocinemos se a festa era de 15 anos, logo o que se espera? Dançarinas e acompanhantes contratas para entreter os convidados, é claro. Mas esta era diferente, era repleta de parentes da aniversariante e uma molecada de uns 15 anos, puta sacanagem.

 Bem a festa sucedeu bem e a guria conseguiu completar teus 15 anos com sucesso. Porém no bar, que não tinha um balcão de granito negro, como se imaginava, muito longe disto, parecia mais um picadeiro. Foram improvisadas colheres, e bebidas, frutas e gelo, coqueteleiras e principalmente foram improvisadas bebidas. Um mar de gente em volta de três jecas que na primeira calmaria do mar saíram de fininho para tentar aproveitar o resto da festa. E assim aproveitaram - um dormindo, outro com a família e o ultimo jeca ... na libertinagem paulistana. Acabaria assim, caso terminasse ali, mas só termina quando acaba...

 Saldo, dentre mortos e feridos salvaram-se todos, por enquanto ...


25 setembro, 2010

Juventude utópica



 Não aprecio nossa juventude. Contudo, nossos ancestrais, na flor de sua mocidade, não foram assim tão incríveis, como o fazem parecer. Houve sim, e como ainda há, exceções - hoje mais raras é verdade. - Nossos pais, tios e avós não foram todos excepcionalmente heróis e heroínas na época da ditadura, ou outra qualquer. Muitos até, a viam como algo correto e benevolente, outros tantos nem sequer eram afetados por ela, e claro, haviam aqueles que hoje idolatramos. Mas se todos jovens de 1964 a 1985 fossem realmente revolucionários, passaríamos tanto tempo sob uma política ditatorial? Claro que Jovens na USP em S. Paulo e por todo o Brasil foram importantes e revolucionários, mas não todos eles. Isso devido ao fato dos jovens aceitarem, e encararem a mudança com bons olhos. Sempre foi assim, e sempre será... O mesmo aconteceu na independência, abolição dos escravos, caras pintadas. - citando os eventos nacionais -.

 Porque isso acontece? Porque a sociedade adora mistificar, é natural e humano. Veja quantos deuses matamos, para chegar neste deus de hoje. Sempre mistificamos a historia e transformamos homens em heróis. Tiradentes, D. Pedro I. e distorcemos ou esquecemos as falhas se elas vem com uma conquista.
 Porém, tudo isso não tira o fardo dessa juventude ser tão ociosa e fútil. Se mais ou menos que outras gerações... O que importa? Não resolve em nada.

 ''Se todo mundo fizer a sua parte''.  Desista! Ninguém vai acordar amanhã e resolver mudar assim. Milagres não existem... Ninguém muda se sua vida não for diretamente afetada. Uns são mais afetados pelo individualismo, enquanto outros poucos conseguem uma 'cura', algo que supra esse instinto humano.

 Hoje o individualismo do homem inibe quaisquer mudanças, mas não desanime se a minoria dorme tranquilamente agora sem saber das tuas desgraças, sempre haverá alguém pior do que você. Acomodados pelo luxo e conforto que o capitalismo nos oferece, toda essa miséria do mundo parecem distante de nossa realidade. Tudo que não envolva diretamente e explicitamente nossas vidas nos é algo surreal e banal de mais para se tentar fazer algo.


 Para se conseguir algo na vida, necessita-se de sacrifícios - até onde está disposto a sacrificar-se?